Líderes religiosos fazem críticas ao senso de religiões divulgado pelo IBGE

Por Dan Martins em 3 de julho de 2012

 

Os dados sobre religião, divulgados pelo IBGE que apontou o crescimento de 61,45% dos evangélicos nos últimos dez anos, foram a base de um debate entre líderes religiosos no programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, nessa segunda feira.

O principal questionamento levantado no debate foi se o crescimento dos evangélicos deve-se à conquista de espaços entre a população brasileira ou à diminuição do número de católicos.

O moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor luterano Walter Altmann, ao analisar os números divulgados sobre a população religiosa do Brasil, afirmou que a pesquisa acerta no atacado, mas erra no varejo. O pastor fez essa afirmação criticando a falta de precisão do IBGE na apuração de alguns dados da pesquisa.

Tendo considerado três grandes grupos de evangélicos: os de missão, os de origem pentecostal e os não determinados, o Censo não consegue mensurar, por exemplo, se luteranos cresceram, ficaram estáveis ou diminuíram sua membresia na última década. De acordo com a agência ALC, dos 42,2 milhões de evangélicos brasileiros, 9,2 milhões são indeterminados, classificação que nem o IBGE consegue definir com precisão.

Já o padre Irineu Rabuske, afirmou que os dados não surpreenderam a Igreja Católica. Ele afirma que desde o primeiro processo censitário brasileiro, realizado em 1872, a Igreja vê diminuir o número de fiéis. Ele ressaltou, porém que no século XIX a maioria dos que se declaravam católicos eram apenas nominais, e não praticavam realmente a fé.

– Que tipo de acompanhamento espiritual recebia o fiel de Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai, que via um padre vindo da capital, montado em lombo de burro, percorrendo uma distância de 700 Km de tempos em tempos? – questionou o sacerdote católico.

Representando os espíritas no Polêmica, o advogado e jornalista Milton Rubens Medran Moreira, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, comentou sobre a inserção do espiritismo na lista de religiões do Censo. Para ele isso aconteceu assim como Pilatos entrou para o Credo Apostólico. Para Moreira, o espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia. Ela apontou ainda que o Brasil é o país mais espírita do mundo, com 3,8 milhões de seguidores.

Participou também da discussão o pastor Eliezer Morais, da Assembleia de Deus, denominação apontada pelo Censo como a que mais cresceu no país na última década. Durante o programa o pastor comentou fatores que levam a denominação a registrar um dos maiores índices de crescimento numérico no país.

– Proclamamos o que herdamos da Reforma – a salvação somente pela graça, fé e escrituras – não clericalizamos a liturgia, trabalhamos com simplicidade, envolvidos com a realidade do povo brasileiro e fazemos com que os fiéis leiam a Bíblia – resumiu Morais.

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