Eleitos em SP, pais de vítimas de crimes brutais defenderão segurança

Masataka Ota (PSB) e Ari Friedenbach (PPS), vereadores eleitos neste domingo (7) na capital paulista, têm mais em comum do que os slogans de combate ao crime na cidade de São Paulo usados na campanha política. Ambos sabem o que é a dor de perder um filho para a violência, morto por criminosos, em casos amplamente divulgados pela imprensa e que tiveram repercussão no Brasil.

Ota teve o filho Ives sequestrado da casa da família na Zona Leste e assassinado em 1997, quando tinha apenas 8 anos. A filha de Friedenbach, Liana, foi morta aos 16 anos juntamente com o namorado dela em 2003, quando o casal saiu da capital para acampar escondido num município da Grande São Paulo.

De diferentes partidos, mas com histórias parecidas, esses dois escolhidos pelo eleitor também possuem propostas convergentes para tentar reduzir os índices de criminalidade: investir na educação dos alunos em tempo integral e garantir a segurança das escolas.

‘Cuidar das crianças’

O comerciante Ota, católico de 56 anos e adepto do espiritismo, casado e com duas filhas, vai assumir uma das 55 cadeiras na Câmara no ano que vem. Sob o slogan de campanha “Vamos cuidar de nossas crianças”, ele conseguiu 62.693 votos. A mulher dele, Keiko Ota, já é deputada federal pelo mesmo partido.

Ota afirmou que pautará sua atuação na política com projetos para a segurança e a educação. “Creche para todas as crianças, educação de qualidade em tempo integral, atendimento psicológico e social nas escolas e criar um grupo de estudo para salvar as crianças são algumas das propostas que tenho. Criança na escola para ser adulto, doutor, e não bandido. Se ficar na rua, quem vai cuidar dele é o traficante”, disse o comerciante.

O novo vereador, que nasceu no Japão e se naturalizou brasileiro no ano passado, afirmou que decidiu se candidatar após receber uma mensagem do filho no plano espiritual. “Eu não sei se você acredita, mas em março eu recebi uma mensagem de meu filho por meio de um espírita. Meu filho disse que eu deveria me preocupar com outras crianças para que elas não fossem vítimas dos criminosos e não se tornassem criminosos”, contou Ota. “Vai ser bom ter a companhia do Ari [Friedenbach] na bancada.”

Ives foi sequestrado pelo motoboy Adelino Donizete Esteves no dia 29 de agosto de 1997 e morto por ele com dois tiros no rosto na madrugada do dia seguinte. O garoto havia reconhecido um dos criminosos: o policial militar Paulo de Tarso Dantas, que fazia bico como segurança do comércio de Ota. Mesmo após o assassinato, os sequestradores continuavam a exigir da família da vítima o pagamento de dinheiro para libertar a criança. A dupla foi presa no dia 5 de setembro, quando negociava o valor do resgate por telefone.

O motoboy Esteves, único que confessou o crime, foi condenado pela Justiça a 45 anos e seis meses pelos crimes de sequestro, homicídio, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e uso de falsa identidade. Dois policiais envolvidos foram sentenciados a 43 anos e dois meses de prisão cada um por sequestro seguido de morte e ocultação de cadáver.

Em outubro de 2005, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os três acusados passaram a cumprir a pena em regime semiaberto. Após a repercussão nacional, a família de Ives fundou o “Movimento da Paz e Justiça Ives Ota”, em setembro de 1997.

Leia mai >>> G1 – Eleitos em SP, pais de vítimas de crimes brutais defenderão segurança – notícias em Eleições 2012 em São Paulo.

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